Um esboço de reflexão…

Quando nosso compromisso é com o próprio ego, não nos permitimos mudar de opinião. Já quando estamos comprometidos acima de tudo com o conhecimento, o constante aprofundamento reflexivo permite atualizações em nosso conjunto de crenças. Quando a vontade de ser coerente passa a confundir-se com teimosia, é porque matamos o pensamento.

Um dos mais instigantes e, ao mesmo tempo, um dos mais controversos argumentos a favor da existência de Deus foi formulado por William Paley em sua obra Natural Theology. Ao observar um relógio, conclui-se que a complexidade de suas engrenagens e mecanismos é evidência da necessidade de um relojoeiro. A natureza, por ser muito mais complexa, deve, portanto, exigir também um criador.

Como o relojoeiro deve ser mais complexo do que o relógio, ou o criador deve ser mais complexo do que a sua criação, isso nos leva a um problema regressivo: se o que nos incomoda, como ponto de partida, é a rica complexidade do mundo natural, então deveríamos ficar também incomodados com a complexidade ainda maior do próprio criador desse mundo natural. Aplicando o mesmo raciocínio, temos uma sequência infinita de deuses, um criando o outro.

Como matemático, a palavra “infinito” não me incomoda. Mesmo sem ter refletido ainda o suficiente sobre o assunto, confesso, aceito com naturalidade processos que envolvem limites de sequências e séries. Mas devo dizer que, neste caso em particular, o que me causa mal-estar é a complexidade crescente envolvida na sequência de “criadores”.

O crescimento vertiginoso do conteúdo de informação nesse processo arrebenta as fronteiras da nossa possibilidade de conhecer. A ciência é possível porque a complexidade do mundo pode ser apreendida em um punhado de leis elegantes. Contudo, se a própria complexidade é crescente, deparamo-nos com uma incognoscibilidade fundamental.

Logo, abraçar a ideia de que Deus poderia ser definido como o limite de uma sequência de deuses cada vez mais complexos exige o abandono da lógica tal como a conhecemos. Resta-nos aceitar que a própria existência de Deus seria uma violação da lógica que Ele mesmo teria criado (absurdo!), ou então que Deus seria um Deus enganador, que se compraz em manter o intelecto humano em um estado perpétuo de distorção cognitiva (… e, com isso, recaímos no ceticismo moderno).

Por mais tentador que esse argumento possa parecer, devo observar que, em primeiro lugar, ele só se aplica a uma entidade criadora. Assim como a vida orgânica pode perfeitamente ser fruto de um longo processo de evolução por seleção natural a partir dos primórdios da bioquímica, também é razoável supor que nosso presente estado de ignorância a respeito do status da matéria possibilita a existência de outras formas de vida inteligente, invisíveis e não acessíveis à nossa experiência material cotidiana. O problema lógico da complexidade crescente só existe em referência a algo que possui o atributo de ser “criador”.

Em segundo lugar, um problema muito mais sério nesse argumento (e, a meu ver, fatal) é que ele pode ser entendido como uma longa cadeia de causalidades: Deus1 é a CAUSA do Universo, Deus2 é a CAUSA de Deus1, Deus3 é a CAUSA de Deus2 e assim por diante, gods all the way down. Ora, toda relação de causalidade pressupõe uma temporalidade: A só pode ser causa de B se A vier ANTES de B. Não se pode dizer que algo causa ou é causado sem termos, primeiramente, uma noção de ANTES e DEPOIS. Os deuses cada vez mais complexos estão presos, necessariamente, a uma certa temporalidade.

Só que a própria noção de Transcendência  expressa que Deus situa-se FORA do tempo, por ser Ele o próprio criador do tempo. Nós, seres humanos, vivemos na vida temporal. Mas Deus é maior do que o tempo e, portanto, não é limitado por ele. Qualquer estudante medieval de filosofia e teologia não teria problemas com o argumento da impossibilidade da complexidade crescente.

Nosso problema passa a ser, então, o problema da própria realidade do tempo. Se o tempo for apenas uma ilusão subjetiva conveniente, talvez Deus realmente não exista, ou nada possamos dizer a respeito dessa questão. Entretanto, uma consequência desagradável de adotar essa postura seria que tudo o que nossas mentes produzem e tudo o que pensamos conhecer a respeito dos fenômenos da natureza não passariam de produtos fantasiosos de mentes individuais. Ou seja: a relatividade do tempo implicaria facilmente em um relativismo epistemológico e ontológico, e a própria atividade científica perderia a sua razão de ser. O próprio ato de pensar também perderia o propósito e nada mais poderia ser conhecido. Seríamos uma sequência infinita de cérebros em potes, ou o solipsismo levado ao limite de suas possibilidades: mesmo considerando, por um momento, a ideia de que só podemos ter certeza da existência de nossa própria mente, até mesmo essa certeza poderia estar dentro de outro pote, e assim por diante, em uma sequência de brains-in-vats all the way down. Uma ideia capaz de fazer ruborizar até mesmo um filósofo parisiense!

Por outro lado, se consideramos que o tempo é real e que existe o tempo, mesmo que nós não existamos, então a *relatividade* do tempo não cai mais em um *relativismo* solipsista ingênuo. Além disso, físicos como Lee Smolin vêm defendendo que as leis da física podem estar sujeitas à evolução, o que só faz sentido se considerarmos o tempo como mais do que uma noção meramente subjetiva e decorrente de nossas percepções sensíveis. Se as leis da física apenas “são” e situam-se externas ao tempo, então não podemos explicar nada. Por causa disso, Lee Smolin está convencido de que a concepção de um universo atemporal está errada e que as leis da física devem estar sujeitas a um tempo que é *real*. Só que isso o coloca diante de uma nova questão: se as leis da física evoluem, ele se depara com o dilema da meta-lei: existe uma direção para as mudanças e portanto o “algo” que direciona essas mudanças deve situar-se necessariamente fora do tempo. Para que o tempo tenha existência real e possa desempenhar as suas funções como pano de fundo de todo e qualquer processo evolutivo, agora a existência da Transcendência é que passa a ser uma necessidade lógica! Ora, qualquer estudante medieval de filosofia e teologia não perderia o sono por causa disso!

Meu problema agora (que não pretendo desenvolver aqui, por estar ainda engatinhando nessa outra reflexão) é como compatibilizar o anti-essencialismo fundamental da ideia de evolução com a necessária existência de uma entidade supra-temporal criadora. Talvez a via de ataque para esse problema seja pela identificação precisa do domínio de validade para a evolução: por ela ser necessariamente vinculada à temporalidade na qual opera, ela pode perfeitamente ser anti-essencialista; o essencialismo estaria também situado “fora” do tempo e, portanto, não haveria o risco de contradição. Basicamente, as essências últimas de tudo o que aparece na realidade concreta estariam situadas na “mente de Deus”, isto é, “fora” do tempo. Já a própria realidade concreta estaria “dentro” do tempo. Mas será que somente isso já seria suficiente para mostrar que evolução e Transcendência não são incompatíveis?

Da minha parte, estou bastante convencido de que poucas leis da natureza são mais belas e consistentes do que a evolução por seleção natural. Ao mesmo tempo, considero seriamente a possibilidade de que a seleção natural seja uma instância particular de leis físicas ainda mais fundamentais, que têm a ver com complexidade adaptativa, com entropia e com o conceito de informação. Sem um tempo real sobre o qual a evolução adaptativa se desenvolve, ela simplesmente não faz sentido. E a beleza da evolução adaptativa reside justamente em ser um algoritmo simples e dotado de uma capacidade explicativa incrível. Mas será que a aceitação da evolução por seleção natural (ou de qualquer outra lei mais fundamental que siga a sua mesma lógica) está necessariamente em desacordo com a ideia da existência de uma consciência criadora?

Ora, um algoritmo é uma receita, um conjunto de instruções – tal como um programa de computador. É possível haver um programa sem um programador? Inclino-me a acreditar que a resposta deve ser negativa, pois um conjunto de instruções pressupõe uma intencionalidade consciente. Isso significa que temos uma resposta conclusiva acerca da existência de Deus? Não sei. Contudo, se eu quero ter a possibilidade de conhecer a respeito de qualquer coisa, se eu quero poder me maravilhar com a magia presente na realidade natural, se eu quero admirar o que áreas tais como a Física, a Química, a Biologia, a Astronomia, a Matemática, a Filosofia e tantas outras produzem na aventura do conhecimento humano, e se tenho alguma pretensão de participar, um pouco que seja, dessa aventura, então preciso de um tempo que seja real. Nesse caso, a ideia de Transcendência, mais do que o produto de “meras” especulações teológicas e filosóficas, passa a ser uma condição absolutamente necessária para o próprio ato de conhecer.

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A Realidade e Aquilo que Vemos

O maior problema do materialismo, elucubrações filosóficas à parte, reside no próprio conceito de matéria. Desde a época dos pré-socráticos, o pensamento ocidental começou a investigar, sistematica e racionalmente, a natureza última do mundo material. No atomismo de Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera, já pode-se observar a sugestão de uma necessária “homogeneidade última” da matéria. A noção contemporânea de que partículas fundamentais da natureza (de um mesmo tipo) são indistinguíveis entre si não deixa de ser a validação científica de uma direção já apontada pela força lógica do pensamento antigo.

Atualmente, um dos resultados mais bem sucedidos da Física contemporânea é o Modelo Padrão. Se começarmos uma viagem na direção do microscópico, a partir do nosso organismo, constatamos que somos formados por estruturas biológicas chamadas células. Cada célula, por sua vez, é formada por moléculas… e cada molécula é feita de átomos. Um átomo possui prótons e nêutrons em seu núcleo, e nuvens de elétrons orbitando esse núcleo. O que existe dentro dos prótons e nêutrons? Partículas mais fundamentais ainda, os quarks. Sabemos também que o núcleo atômico é mantido coeso devido à ação da força nuclear forte, que os processos de decaimento beta relacionam-se com a força nuclear fraca e que há ainda mais duas forças fundamentais na natureza, a força eletromagnética e a força gravitacional. A informação correspondente a tais forças é transmitida por “partículas mensageiras”, tais como os fótons (força eletromagnética), os glúons (força nuclear forte) e os bósons W e Z° (força nuclear fraca). Com a descoberta recente do bóson de Higgs, o Modelo Padrão passa a incluir evidências experimentais para a origem da massa das demais partículas elementares.

Ao mesmo tempo em que avançamos na direção de uma compreensão cada vez maior sobre a natureza da matéria, também aprendemos que a realidade é muito maior do que aquilo que vemos (seja com nosso sentido da visão, seja com a utilização de sofisticados instrumentos de medição). É exatamente aí que está o maior problema da posição materialista: a afirmação de que tudo o que existe é o “mundo material” exige respaldo no que conhecemos acerca do mundo material, mas no entanto até agora só começamos a arranhar a superfície! O próprio Modelo Padrão apresenta três famílias de partículas elementares… sendo que os elementos químicos, tais como os vemos e sentimos em nossa experiência cotidiana, são compostos das partículas de apenas uma dessas famílias.

Se acreditamos que tudo o que existe desempenha alguma função na estrutura da natureza, então cabe perguntar: para que “servem” as outras duas famílias de partículas elementares? Mas será que há somente mais duas famílias? Já há esforços na direção de aumentar a energia nos experimentos realizados no LHC (Large Hadron Collider), com o propósito de investigarmos com mais profundidade a composição da natureza. O Modelo Padrão está longe de ser concluído com a descoberta do bóson de Higgs. Mais do que um ponto de chegada na aventura do pensamento científico, estamos nos aproximando de um ponto de partida.

Ao mesmo tempo em que avançamos experimentalmente na direção de uma maior compreensão da natureza da natureza, o desenvolvimento do pensamento matemático tem nos brindado com novas geometrias que talvez contenham, em suas estruturas e propriedades, mais respostas para os nossos mais profundos questionamentos… e, é claro, essas geometrias e topologias também trazem consigo novas e intrigantes perguntas.

A afirmação de que “tudo é matéria” pode ser absolutamente ingênua (quando pressupomos que matéria corresponde ao mundo das nossas experiências concretas), mas também pode ser de um alcance extremamente sutil (quando aceitamos que ainda não sabemos muito bem o que é, na realidade, a matéria). Ao mesmo tempo, afirmar que existe uma separação entre a natureza (domínio da Física) e uma realidade sobrenatural, metafísica (por definição, inacessível à Física) pode não passar de uma categorização conveniente para organizar nossas crenças e ideias. Talvez aquilo que chamamos de “sobrenatural” não seja mais do que o natural que ainda estamos engatinhando para conhecer: forças ocultas dentro de geometrias multidimensionais, padrões vibracionais que interferem positiva ou negativamente com nossa realidade mais imediata, universos paralelos e formas de vida inteligente constituídas de outras formas de matéria, inacessíveis à miopia dos nossos sentidos. [Acréscimo: o que "chamamos" de sobrenatural pode não passar do natural que ainda está inacessível ao status atual da nossa ciência... mas isso não quer dizer que tal raciocínio aplica-se ao conceito mais fundamental de Transcendência.]

Há milênios, a humanidade vem desenvolvendo técnicas para inteligir a expressão da realidade em seus outros níveis: a meditação das doutrinas orientais, os processos xamânicos, a entoação de cânticos, as experiências místicas cristãs dos padres do deserto, da oração centrante e da Lectio Divina e assim por diante. Ao mesmo tempo, também há milênios, começamos uma investigação metódica acerca da natureza do real, que resultou no desenvolvimento da ciência moderna. Ainda estamos muito distantes de compreender o que “é” a realidade, mas já sabemos que ela transcende as intuições geométrica e temporal, frutos de nossa própria evolução por seleção natural, e sem as quais não sobreviveríamos como mais uma espécie animal em um ambiente biológico caracterizado pela competição e escassez dos recursos. Mas o fato de precisarmos do senso comum para sobreviver não significa que a realidade deve se resumir aos limites da nossa experiência cotidiana mais imediata.

A bem da verdade, essa paroquiana ilusão antropocêntrica produz o indesejável efeito colateral de atrasar o avanço do conhecimento através da provisão de um fraco consolo existencial. Sim, nós realmente somos, de alguma forma, especiais (assim como todas as demais formas de vida!). Mas não, isso não significa que o universo gira em torno do nosso umbigo.

Há um abismo entre a Realidade e a “realidade que vemos”. Não é um abismo intransponível… a não ser que nos fechemos no dogmatismo mesquinho do senso comum ou nos acomodemos na ilusão relativista da rejeição do conhecimento. Essas duas posições são, na verdade, apenas uma – pois o relativismo já é, em si, um dogmatismo. Talvez a palavra que melhor resume o aprisionamento no dogma materialista ou na certeza da impossibilidade do conhecimento seja “ignorância”. Não há maior ignorância do que acreditarmos que temos todas as respostas. Essa é uma postura que antagoniza tanto com o desenvolvimento espiritual quanto com o avanço da ciência. Talvez seja por isso, afinal de contas, que é da ignorância, e somente da ignorância, que o homem precisa ser salvo.

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Topologia Sagrada

No pórtico da Academia de Platão, podia ler-se a inscrição: “Que não entre quem não souber geometria”. O próprio Platão, em seu diálogo Timeu, apresenta a sua cosmologia pela associação dos elementos básicos da natureza aos poliedros regulares. De acordo com o filósofo, a terra corresponde ao cubo, o ar é associado ao octaedro, a água corresponde ao icosaedro e o fogo relaciona-se com o tetraedro. Como existe ainda mais um sólido, o dodecaedro, Platão acreditava que ele corresponderia a algum elemento utilizado pelo demiurgo (grande artífice) para organizar as constelações de estrelas no céu.

No final do século XV, em pleno início da modernidade, o matemático e frei italiano Luca Pacioli escreve De Divina Proportione, que foi ilustrado por Leonardo da Vinci. A obra trata da relação entre a matemática e a arte. Na primeira parte, o autor discute a Razão Áurea (que chama de proporção divina), que de acordo com estudiosos da área de psicologia desempenha um papel importante na percepção humana da beleza. A razão áurea aparece em diversos fenômenos naturais (por exemplo, em conchas de certos moluscos e na geometria do DNA) e tem inspirado artistas, filósofos, cientistas e místicos há milênios.

No século XVIII, o alquimista, teólogo, místico e cientista Isaac Newton, figura central no desenvolvimento da Física Clássica, descobriu ferramentas matemáticas para tentar desvendar a disposição e harmonia do universo. A partir do seu conceito de espaço e tempo absolutos, Newton afirmou a necessidade de uma inteligência ordenadora ao mesmo tempo em que abriu o caminho para uma revolução no estudo do movimento.

É no século XIX que os matemáticos C. F. Gauss, N. Lobachevsky, J. Bolyai e B. Riemann  questionam a auto-evidência dos postulados de Euclides e abrem as portas para o desenvolvimento de geometrias em espaços curvos. Dessa maneira, eles prepararam o caminho para que, poucas décadas depois, Albert Einstein pudesse reinterpretar a própria ontologia do espaço e do tempo em uma única geometria: espaço-tempo.

No transcurso das eras, o pensamento humano têm sido atraído pelas formas e proporções geométricas. A Geometria Sagrada transcende manifestações religiosas específicas e têm orientado a construção de templos e santuários tais como o Tabernáculo de Moisés, os templos japoneses e as catedrais medievais. Através de sua função simbólica, a geometria apresenta-se como um meio para a compreensão das estruturas mais sutis do universo e do nosso lugar na totalidade das coisas.

Na atualidade, os últimos desenvolvimentos no campo da Geometria e o estudo das transformações dos espaços geométricos (Topologia) têm desafiado os limites da nossa razão e as potencialidades da nossa intuição na incansável aventura humana em busca do conhecimento. Bem disse o teólogo, frei franciscano, alquimista e místico Roger Bacon, o Doctor Mirabilis, no século XIII: “A matemática é a porta e a chave para as ciências. (…) Nada pode ser conhecido sem o poder da geometria”.

Isso parece fazer mais sentido do que nunca no momento em que vivemos, quando áreas da Física-Matemática tais como a Teoria das Cordas apresentam-se como promessas para desvendar os segredos mais íntimos da realidade: dimensões ocultas, vibrações, múltiplos universos, viagens no espaço-tempo e assim por diante. Estamos, portanto, diante de uma nova oportunidade. Mais do que nunca, precisamos superar o abismo entre a razão e a intuição, tal como já fizeram os teólogos, filósofos, alquimistas e cientistas do período medieval e do Renascimento, quando estavam tentando conciliar suas crenças e o exercício da razão dedutiva com a observação cuidadosa do mundo natural… e lançando, portanto, as bases para o desenvolvimento da ciência moderna.

Os princípios da Geometria Sagrada desempenharam um importante papel na relação entre a sabedoria dos antigos, a construção de edifícios teológicos medievais e o desenvolvimento da ciência moderna. Atualmente, não seria exagero dizer que ainda tentamos ansiosamente compreender o nosso lugar na existência e o próprio sentido do Universo através da geometria e de suas transformações. Talvez a pedra fundamental para uma nova disciplina esteja presente em uma proposta do filósofo catalão Xavier Zubiri: a realidade possui uma estrutura dinâmica. Logo, o ato de inteligir envolve um processo de atualização constante, diante das transformações dinâmicas da geometria do real. Assim, em vez de uma geometria, o que temos agora é o delinear de uma Topologia Sagrada, o estudo das próprias transformações dos espaços geométricos e do nosso lugar nessas transformações.

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