Cultura e Ética de Negócios para uma Sociedade Livre

UMA VANTAGEM….

… de ficar sem celular por uns dias é retomar o hábito de ler livros de verdade durante meus trajetos no transporte público. Hoje, vim para o trabalho lendo “Juros, Moeda e Ortodoxia”, de André Lara Resende. Destaco um trecho, a respeito do inesquecível Eugênio Gudin:

“Gudin tinha clara noção da distinção entre o livre-mercado e o mercado competitivo que, até hoje, muitos dos defensores do liberalismo parecem desconhecer. (…)Foi além: compreendia que uma economia eficiente, pautada pelo mercado competitivo, dependia não só do ambiente institucional e legal adequado, mas sobretudo da educação em todas as suas dimensões. (…) Sustentava que não havia lei que suprisse os bons princípios da ética dos negócios, que só se adquirem através de um longo processo educativo.”

Sim, e é isso o que os liberistas metidos a liberais que temos hoje em dia não conseguem entender. Não se parte da economia para a sociedade. Precisa ser, necessariamente, o sentido contrário! Sem uma CULTURA DE NEGÓCIOS, o que necessariamente inclui princípios sólidos de ÉTICA DOS NEGÓCIOS, o liberalismo econômico não tem como produzir resultados sustentáveis. Muito pelo contrário, tende a alimentar a corrupção política e o capitalismo de compadrio.

A liberdade econômica está muito longe de ser um remédio para os problemas da sociedade. A liberdade econômica é, mais propriamente, o produto de um ambiente institucional adequado, dotado de mecanismos que garantem direitos de propriedade bem definidos e competição saudável. Douglass North e Ronald Coase perceberam isso muito bem e podemos retroceder nos fundamentos institucionais do Liberalismo pelo menos até a correspondência entre direitos e deveres, tal como observada por Samuel Pufendorf, ainda no século XVII.

Acontece que essas ferramentas institucionais não se impõem por decreto. Emergem adaptativamente a partir das interações complexas entre indivíduos na sociedade. Que tipo de interações? Principalmente de NEGÓCIOS. É por isso que me defino como “liberal no sentido PRÁTICO do termo”. As práticas de negócios, que demandam competência, eficiência, confiança e reconhecimento da igualdade do outro, para dizer o mínimo, estabilizam evolutivamente as instituições de uma sociedade liberal.

__

Claudio Téllez é consultor de negócios internacionais na Laissez Faire Consultoria de Negócios. Contato: tellez@laissezfaireconsultoria.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *