Internacionalização Estratégica

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User:Nina Silaeva [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]

Quando uma empresa deseja dar o “grande salto” para a internacionalização, precisa estar preparada. Esse preparo significa estabelecer corretamente os objetivos, formular um planejamento estratégico cuidadoso e definir as linhas de ação que, racionalmente, espera-se que produzam os melhores resultados.

Ou a internacionalização é feita de maneira alinhada à gestão estratégica, ou a empresa corre o risco de meter os pés pelas mãos em um ambiente internacional caracterizado por competição intensa e riscos elevados.

É por isso que insisto na necessidade de uma abordagem científica, isto é, bem fundamentada na lógica e nas evidências, para orientar as atividades de negócios internacionais. Marcos conceituais repletos de gordura teórica mais atrapalham do que ajudam. Embora seja tentador elaborar uma análise abrangente do terreno, contemplando desde especificidades históricas até variáveis identitárias e culturais, é melhor optar por uma abordagem mais enxuta. Quanto menos pressupostos e variáveis, melhor.

Claro, isso não significa que a modelagem deva exagerar na simplificação. Excesso de realismo atrapalha, porém a falta de conexão com a realidade também não serve de muita coisa. O realismo deve ser suficiente para possibilitar a avaliação empírica do modelo. Sem esse cuidado, a modelagem da estratégia pode proporcionar resultados desagradáveis, com consequências desastrosas para o bem-estar financeiro da empresa.

O grande desafio que enfrentamos ao formular estratégias empresariais adequadas ao ambiente internacional é a incerteza com respeito a estados futuros. Nem sempre é possível transformar a incerteza em risco. Qual é a diferença? Números. A incerteza nos diz que eventos não esperados podem ocorrer, já o risco nos dá medidas probabilísticas, ou seja, o quanto alguma coisa é incerta. Saber “o quanto” facilita muito o processo de tomada de decisões! Entretanto, nem sempre é possível. No ambiente internacional de negócios, a única certeza é que há incerteza.

Existe uma receita definitiva e que funcione para todas as empresas em todos os ambientes? Não, obviamente. Entretanto, a adoção de uma postura científica rigorosa faz toda a diferença! O olhar científico permite avaliar quando é mais conveniente seguir a teoria da utilidade esperada, quando é melhor prestar atenção ao paradoxo de Allais e aos trabalhos de Tversky e Kahneman sobre escolhas em cenários incertos, ou quando uma abordagem evolutiva-adaptativa é mais promissora.

É importante saber combinar o rigor científico com a heurística. Afinal de contas, na área de negócios internacionais precisamos lidar com situações do mundo real enquanto os acontecimentos se desenvolvem. Essa é a combinação vencedora para agir de maneira inteligente e eficaz em situações estratégicas.

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Claudio Téllez é consultor de negócios internacionais na Laissez Faire Consultoria de Negócios. Contato: tellez@laissezfaireconsultoria.com

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